Empresas públicas e as criptomoedas

As criptomoedas são uma realidade, seja para os que creem nelas como moeda/ativo ou para os céticos, é quase impossível passar por uma conversa casual sobre tecnologia sem que blockchain, Bitcoin, Ethereum , IOTA (entre outras!) sejam mencionadas.

Há menos de 10 dias uma notícia de que engenheiros nucleares russos foram presos por tentar usar supercomputadores para minerar Bitcoin foi um tema popular de debate na comunidade das criptomoedas.

Poucos dias depois da repercussão da notícia, nosso sistema de monitoramento avançado persistente identificou algumas ocorrências que sugerem que empresas públicas brasileiras poderiam estar engajadas em atividades similares de mineração de criptomoedas.

Os endereços IP 179.106.201.121 e 179.106.233.80 (AS 263083 – Parque Tecnológico de Itaipu – PTI), 200.202.147.147 (AS 11097 – Empresa Brasileira De Pesquisa Agropecuária –  EMBRAPA) e 164.85.94.90 (AS 23074 – Petróleo Brasileiro S/A – Petrobras) apresentaram comportamento consistente com mineração de criptomoedas.

O caso do PTI é curioso porque análise dos dados sugere que os endereços estavam associados com mineração de criptomoedas distintas.

  • O endereço IP 179.106.201.121 apresentou comportamento consistente com a mineração de Bitcoin, observado pela última em 05 de fevereiro de 2018 como nó da rede Bitnodes.
  • O endereço IP 179.106.233.80, por sua vez, acusou atividade na porta 30303 – habitualmente associada ao cliente Geth de implementação do Ethereum em linguagem Go. Esse comportamento foi observado entre os dias 01 e 18 de fevereiro de 2018, em detalhes apresentado a seguir:

Os casos da Embrapa e Petrobras são menos recentes, observados pela última vez, respectivamente, em 01 de novembro de 2017 e 26 de julho de 2017.

Em ao menos 25 ocasiões universidades públicas apresentaram em suas infraestruturas nós de mineração de criptomoedas. Porém, nesses casos, essas atividades podem ter relação com pesquisas acadêmicas .

Parece certo que a tecnologia do blockchain e as criptomoedas farão parte do futuro, o que pode justificar o interesse de pesquisa por empresas públicas e privadas nessas tecnologias. Não é possível saber, contudo, se as atividades observadas nos quatro casos das empresas de capital público são iniciativas institucionais ou uso de ativo corporativo para fins pessoais.